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Se você abriu este texto, é porque quer entender os impactos do cenário econômico em 2021 nos investimentos. Anteriormente, no post “Como investir de forma inteligente”, falamos dos principais fatores que devemos considerar para montar uma carteira de investimentos do zero.

Citamos critérios como tempo, rentabilidade, objetivos, planejamento e capacidade de poupança. Ou seja, grande parte daquilo que é preciso colocar no papel para que se tenha uma direção mais clara sobre os esforços que serão necessários para conquistar nossos projetos de vida.

No entanto, o mundo dos investimentos não depende só da organização dos nossos planos. Se assim fosse, investir seria fácil, e as escolhas seriam óbvias. Acontece que há outros fatores que interferem no sucesso do investimento.

Então, você vai saber quais são os principais impactos do cenário econômico em 2021 para lidar da melhor forma com os investimentos neste ano.

Impactos do cenário econômico nos investimentos em 2021

Antes de mais nada, é importante entender que nosso universo financeiro e como lidamos com ele é apenas uma pequena parte do todo. Além disso, é fundamental ficar por dentro daquilo que acontece fora desse universo – o ambiente externo –, já que esse é um fator de peso a se considerar.

E uma diferença entre esse ambiente externo e o nosso universo que deixa o mundo dos investimentos mais intrigante é que nós não temos controle sobre o que acontece lá fora.

Por exemplo, tudo aquilo que se projetou em 2019 foi por água abaixo em 2020: projeções de juros, inflação, bolsa e oportunidades.

Coronavírus e o cenário econômico em 2021

Até então, ninguém imaginava o grande impacto que o coronavírus causaria, qual seria a consequência imediata ou como seria o comportamento do mercado financeiro com o rápido avanço da pandemia pelo mundo

Com o aumento do número de casos, os assessores de investimentos trabalharam muito mais para acalmar os ânimos das pessoas desesperadas ao ver toda aquela oscilação na carteira, do que para fazer algum “movimento salvador”.

O objetivo: fazer com que os investidores não tomassem decisões erradas no calor da emoção. Ou seja, movimentações financeiras tinham que ser feitas apenas após uma análise mais detalhada de cada situação.

Como prever os impactos do cenário econômico em 2021?

Bola de cristal, guru de finanças, receitas milagrosas? Não. Guru das finanças? Não. Muito ganho sem risco? Também não! Então, como avaliar impactos do cenário econômico em 2021 para evitar que eventos inesperados frustrem os planos?

Antes de tudo, é importante explicar que o mercado financeiro como um todo é um cabo de guerra, mas com várias pontas competindo e cada uma puxando para um lado diferente.

Em outras palavras, quando uma ponta está ganhando, outras também ganham. Por outro lado, as que estão do outro lado, perdem. Mas essa é uma situação que pode se inverter. Depende do momento.

O que pode impactar no cenário econômico?

Atualmente, é comum se perguntar como os acontecimentos recentes causam impactos do cenário econômico em 2021 e também o que esperar do futuro. Ainda mais na hora de montar uma carteira de investimentos.

Então, assessores de investimentos listam as principais causas e consequências recentes para o cenário econômico mundial:

Biden x Mundo

Acabamos de ter a eleição americana com a vitória de Joe Biden, mas mantendo o Congresso e o Senado sem alta concentração partidária, o que gera um melhor equilíbrio na condução dos projetos.

Num primeiro momento, isso é positivo para o Brasil e outros países em desenvolvimento.

Contudo, reações da diplomacia brasileira podem afastar o Brasil da onda de recuperação, ficando de fora de acordos comerciais. Mesmo com a vitória e uma incerteza a menos, ainda não sabemos o rumo da relação americana com os demais países e se seremos impactados de forma positiva ou negativa.

Nesse sentido, o resultado do pleito americano e a posse de Joe Biden podem ser um dos principais impactos do cenário econômico em 2021.

Coronavírus x Vacina

No Hemisfério Norte é Inverno. A estação do ano tende a acelerar segunda onda de coronavírus. Além disso, recentemente houve uma preocupação maior sobre um possível isolamento total. Enquanto isso, o Brasil vive a segunda onda de contágio, o que despertou o alerta de especialistas de diversos setores.

De qualquer forma, a vacina deve reduzir os níveis de infecção pela Covid-19 nos próximos meses. A situação causa otimismo dos mercados com relação aos impactos do cenário econômico em 2021.

Prorrogação dos incentivos x Teto de gastos

A prorrogação de incentivos e as mudanças no teto de gastos também provocaram impactos do cenário econômico em 2021. A economia da reforma da previdência, por exemplo, foi usada para ajudar empresas e pessoas físicas durante o isolamento social.

Lembrando que a reforma foi necessária para evitar um colapso das contas públicas no futuro. Mesmo com esse importante ajuste, o cobertor é curto para alimentar a economia por muito tempo.

Além disso, prorrogar o auxílio emergencial por mais tempo impacta em ultrapassar um limite importante para manutenção dos gastos públicos. Assim, é fundamental que a economia brasileira apresente sinais de que o teto de gastos seja respeitado e que um processo contínuo de reformas recoloque a saúde fiscal nos eixos.

Por enquanto, ainda há grande incerteza sobre esse tema, gerando uma projeção de maior risco e, consequentemente, indicação de juros maiores no futuro.

Inflação x juros

É natural que, quando um produto é muito procurado, fique mais caro. Mas também sobe de preço por outros motivos, se o custo da produção aumentar ou se a matéria-prima estiver escassa, por exemplo.

Por outro lado, a economia vinha numa recorrente queda de juros em virtude dos níveis de inflação estarem abaixo do patamar considerado saudável – em torno de 4,25% ao ano.

A queda de juros facilita o acesso ao crédito e potencializa consumo. Com isso, são estimulados a produção, o emprego e consumo. Assim, a roda gira. Mas quando essa roda girar rápido demais e a inflação começar a subir muito, o Banco Central eleva a taxa de juros, dificultando acesso ao crédito e freando os estímulos ao consumo.

É complicado equilibrar essa balança, mas é assim que funciona, e isso é um fator que causa impactos do cenário econômico em 2021.

Muito foi consumido ao longo desses meses de pandemia, mas muito se deixou de consumir. À medida que as pessoas voltam a uma rotina mais próxima ao normal, o aumento do consumo faz os preços também aumentarem.

Dólar x Real

O dólar vem se valorizando frente às moedas emergentes já há algum tempo. Desde que perdemos a resistência dos R$ 4,00, vimos esse patamar ficar cada vez mais longe e agora dá a impressão de que também o nível dos R$ 5,00 ficou para trás.

A expectativa é que essa força diminua em 2021, considerando que as economias emergentes voltem a rodar normalmente. Dólar lá em cima ajuda os exportadores, mas prejudica o custo de produção de diversos bens.

O custo elevado, como já dito, inflaciona os preços e dificulta o consumo. Por outro lado, exportar mais traz mais dólares para a economia brasileira, e a balança comercial fica positiva.

Brasil x Mundo

Pouco relevante perante a economia mundial, o Brasil soma menos de 2% do que o mundo gira de negócios. Entrar nessa competição negociando com países como EUA e China coloca o Brasil numa posição bem vulnerável.

Acordos que vem e vão entre eles também colocam o Brasil no meio do fogo cruzado, ora ajudando, ora prejudicando nosso posicionamento.

Nesse sentido, é importante que se perceba que, apesar de existirem sinais de que há um caminho mais provável para a economia, sempre tem um “se” que ronda todos esses fatores.

O objetivo não é cravar números dessas projeções, e, sim, mostrar o que elas acarretam sobre os investimentos, conforme a direção que tomam.

Dicas para investir em 2021

Agora que os principais fatores e as previsões do cenário econômico em 2021 foram explicados, veja dicas de como driblar os impactos negativos da economia:

  • Inflação: atrele parte da carteira de investimentos ao IPCA para garantir um ganho acima da inflação;
  • Juros: busque ativos com maior percentual possível perante o CDI e com prazo médio de 3 a 5 anos, ou ativos que sejam líquidos;
  • Dólar: use a moeda para ter uma carteira diversificada, já que o dólar e o ouro são estratégias de proteção;
  • Bolsa: ainda é um caminho próspero, o que significa um cenário positivo de investimento;

Ou seja, é importante que a carteira seja diversificada para que o cenário futuro seja aproveitado da melhor maneira para os investimentos. Portanto, sempre tenha uma boa parcela com liquidez para se movimentar quando o vento mudar, e uma parte para se proteger quando algo inesperado acontecer.

Texto desenvolvido por Lucas Brigato – sócio e assessor de investimentos na Ethimos Investimentos.

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