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Nas últimas semanas, um dos principais assuntos que domina o noticiário é o reajuste da Taxa Selic em 0,75 ponto percentual (p.p), elevando o índice para 2,75%. Foi a primeira alta em quase seis anos, e o Banco Central prevê um novo aumento já na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

Depois das expectativas e do anúncio da alta, muita gente ficou em dúvida sobre para que serve a Taxa Selic. Você sabe, por exemplo, como a taxa impacta nos investimentos, no preço do câmbio e até da cesta básica?

Neste artigo, vamos explicar para você os principais pontos da taxa básica de juros para que você entenda, de vez, o que é a Selic e como ela pode fazer a diferença em sua vida.

Boa leitura!

O que é a Taxa Selic

Antes de tudo, é importante explicar que a Taxa Selic é um dos principais e mais importantes indicadores econômicos da economia brasileira. Seu valor e, principalmente, as expectativas do mercado sobre seus valores futuros, são fundamentais para que investidores tracem e revisem as estratégias de investimento.

Mas afinal, o que é a Taxa Selic?

De formas mais simplificada, a Taxa Selic se traduz como taxa básica de juros brasileira. No entanto, Selic é uma sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, um sistema do Bacen (Banco Central do Brasil) em que se encontram registradas todas as operações que envolvem títulos do Tesouro Nacional.

As operações registradas no sistema ocorrem em curtíssimo prazo e são realizadas entre instituições bancárias para que nenhuma finalize o dia no negativo. Nessas operações, os agentes utilizam os títulos públicos federais que possuem como garantia para o crédito de curtíssimo prazo que pegam emprestado.

Como em todas as operações de crédito, os bancos também pagam juros para que possam financiar no curto prazo. Nesse sentido, a média ponderada dos juros praticados entre as instituições representa a Taxa Selic efetiva. Por se tratar de uma modalidade de investimento com vencimento overnight (curtíssimo prazo), a Selic efetiva também ficou conhecida como Selic Over.

Banco Central (Foto: Depositphotos)

Selic Meta e Selic Over

Como vimos, a Taxa Selic efetiva é determinada no mercado interbancário como resultado das operações com prazo de um dia. Contudo, esta taxa não flutua livremente no mercado.

Por se tratar de um parâmetro econômico que influencia na economia como um todo, o Copom precisa traçar as metas de forma periódica para que possa orientar e conduzir a economia brasileira. Portanto, o comitê se reúne a cada 45 dias para determinar qual será a Selic que valerá no igual período.

Selic e CDI

Taxa Selic e o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) são duas taxas muito similares. Assim como as operações registradas no sistema Selic, as operações com o CDI também têm vencimento overnight, com a diferença de que ocorrem diretamente entre os bancos, sem o uso de títulos públicos.

Por terem natureza muito similar, inclusive quanto a prazo e riscos, as taxas têm valores muito próximos na série histórica.

Como o Banco Central atua na taxa?

Acabamos de ver que é o mercado quem define a Selic Over. Significa que não basta apenas uma canetada ou decisão do Copom para alterá-la. Dessa forma, após anunciar o patamar dos juros para os próximos 45 dias, o Bacen começa a atuar no mercado diariamente.

Por exemplo, comprando e vendendo títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional, o Bacen interfere na oferta e na demanda dos títulos. Nesse ponto, precisamos lembrar que as operações interbancárias obrigatórias utilizam esses títulos como garantias.

Quando o Copom anuncia uma elevação da Selic meta, o Bacen vende, nos próximos dias, seus títulos com taxas maiores. Isso faz com que as taxas praticadas nos depósitos entre bancos também se elevem. Essa elevação parte do princípio de que ninguém empresta recursos para receber menos do que está pagando por aquele mesmo recurso.

No extremo oposto, ao anunciar uma redução da Selic meta, o Bacen começa a comprar os títulos públicos. Por isso, com o aumento da demanda no mercado pela atuação do Bacen, o preço dos títulos aumenta, pressionando as taxas para baixo.

É importante dizer que o Bacen não emite títulos; essa função cabe ao Tesouro Nacional. A instituição atua apenas no controle da oferta e da demanda dos títulos no mercado negociando os que já foram emitidos.

Como a Taxa Básica de Juros impacta na economia?

Agora que você sabe o que é a Taxa Selic, vamos apresentar como a taxa básica de juros impacta a economia.

Desde 1999, a política monetária brasileira se orienta por um sistema de metas de inflação. O objetivo desse regime de metas é o de promover estabilidade econômica, evitando que cenários como a hiperinflação das décadas de 1980 e 1990 se repitam. Então, quer dizer então que os juros dos títulos públicos afetam a inflação?

Sim! E, inclusive, são a principal ferramenta do Bacen para controlá-la.

A explicação é que, em todos os mercados, os preços de um determinado ativo são determinados pelos níveis de oferta e demanda. Ou seja, quanto mais escasso e mais demandado, mais caro um bem se torna. Quanto mais abundante e menos demandado, mais barato o mesmo bem se torna.

No curto prazo, em um cenário em que as taxas básicas de juros estão baixas, o crédito naturalmente se torna mais barato do que em outros momentos. Com isso, mais dinheiro circula na economia e, naturalmente, as pessoas passam a consumir mais.

Impactos da Selic na vida do consumidor

O aumento da demanda faz com que os empresários precisem de uma força de trabalho maior, aumentando o nível de emprego no país. O aumento no emprego se traduz em um crescimento da renda disponível para consumo, o que retroalimenta este ciclo.

Em outro extremo, mas ainda no curto prazo, uma elevação das taxas de juros dificulta o acesso ao crédito, reduzindo a circulação de moeda e o poder aquisitivo dos indivíduos e famílias. Nesse ponto, os juros mais altos reduzem a demanda, e os preços passam a ser pressionados negativamente.

Com uma pressão negativa nos preços finais, os empresários têm suas margens comprimidas, desacelerando sua produção, o que leva a uma redução do nível de emprego. Por sua vez, se traduz em uma redução da renda disponível para consumo e também retroalimenta este ciclo.

Esta é uma análise muito simples e desconsidera uma série de elementos importantes para determinar a magnitude ou rapidez com que os juros impactarão os preços. Ainda assim, nos serve bem neste momento para exemplificar o poder da Taxa Selic sobre a economia.

Selic e Investimentos

Como é de se esperar, a Selic impacta também o mercado de títulos públicos. Tidos como títulos “livre de riscos”, elevações sucessivas da Selic permitem que investidores passem a ter retornos melhores em aplicações menos arriscadas. O inverso também é valido.

Lembrando dos impactos das altas ou baixas da Selic na economia real, sabemos que a Taxa Selic impacta também o mercado de renda variável.

Com as famílias consumindo mais, as empresas vendem mais. Além disso, o empresário tem maior acesso a linhas de crédito mais baratas, promovendo um melhor desempenho econômico das empresas. Na bolsa, isso pode se traduzir em mais dividendos para o acionista e também em oscilações positivas nos papéis. No entanto, o oposto também é valido, uma vez que a Taxa Selic mais elevada vai contra um aumento da atividade econômica.

Novamente, estamos fazendo aqui uma análise mais simples, desconsiderando alguns parâmetros e modelos mais complexos. O aumento do apetite por risco ou por ativos de renda variável ou renda fixa recebe forte influência das taxas de juros, porém, não é unicamente influenciado por elas.

Selic e Câmbio

Como em todos os exemplos que citamos anteriormente, no mercado de moedas os preços também são determinados por oferta e demanda. Intuitivamente, os investidores sempre buscam otimizar a relação risco e retorno, em termos reais, nos investimentos que fazem.

Ou seja, ao aumentar a remuneração real (acima da inflação) paga ao investidor internacional, o Brasil aumenta a demanda por títulos públicos brasileiros negociados em reais. Isso provoca um aumento na demanda por reais no mercado internacional, fazendo com que seu valor se aprecie, e a relação de câmbio dólares por reais, caia.

Assim como em todos os exemplos anteriores, o oposto também é válido.

Quando olhamos para o cenário internacional nos últimos anos, vemos as economias desenvolvidas remunerando o investidor com rendimentos quase nulos para os títulos públicos emitidos. Isso faz com que os investidores busquem por rentabilidade em países com retorno maior, porém com risco controlado.

Histórico da Taxa Selic no Brasil

Desde o final da década de 1990, a Taxa Selic no Brasil vem passando por um movimento de quedas. No entanto, em março de 2021, houve a primeira alta depois de quase seis anos.

Comparando-se ao início do indicador, a Selic reduziu de 23,28% a.a. para o patamar atual de 2,75% ao ano. Esse movimento, no entanto, não fora linear. Em períodos de maior instabilidade política, a taxa chegou a sofrer elevações, como 1997, quando atingiu sua máxima histórica (45% a.a.) por alguns meses. Em 1998, novas altas foram sentidas, com os juros básicos brasileiros atingindo novamente os 40%.

De 2005 para cá, já com uma estabilidade política relativamente maior, a taxa Selic sofreu cortes menos acentuados, voltando a se elevar apenas durante a crise econômica que se instalou no país a partir de 2012, momento em que a inflação tornou a atingir dois dígitos anuais, e em 2020, com o avanço da pandemia de Covid-19.

Os valores definidos pelo Copom para a Selic podem ser consultados no site do Bacen a qualquer momento.

Conclusão

Neste artigo, você viu que a Selic baliza diversos outros indicadores no país e que é um importante controlador da inflação. Além disso, soube que a taxa básica de juros impacta diretamente nos investimentos, no câmbio e na vida do consumidor.

Por isso, estar atento a esse número faz toda a diferença na hora de tomar decisões financeiras. Nesse sentido, é importante ter por perto um assessor de investimentos, profissional que entende como a Selic pode causar impactos em suas finanças.

E se você ficou com alguma dúvida ou deseja investir de forma mais assertiva, pode conversar com um desse especialistas. Na Ethimos, um dos maiores escritórios da XP Investimentos, os assessores são capacitados para oferecer atendimento personalizado e orientar sobre os melhores produtos de aplicação financeira de acordo com as necessidades e com o atual momento de alta da Selic.

Converse com um especialista. Agende uma reunião!

Até o próximo post!

*Texto escrito por Frederico Ilenburg, assessor de investimentos da Ethimos.

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