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O Copom (Comitê de Política Monetária) elevou, nesta quarta-feira (16), em 0,75 p.p (ponto percentual) a taxa Selic 2021, que agora passa de 3,5% para 4,25% ao ano. É o terceiro aumento consecutivo da taxa básica de juros – o principal instrumento do Banco Central para combater a inflação.

O reajuste no igual patamar dos dois anteriores – em março e maio de 2021 – era o consenso dos especialistas do mercado financeiro e foi decidido de forma unânime pelo Copom. Para o próxima reunião, o comitê antevê novo reajuste de igual magnitude.

Segundo Leonardo Costa, sócio e head de Renda Fixa da Ethimos, o principal fator que puxa a série de altas da Selic 2021 é a inflação no Brasil. O índice já registra acúmulo de 8,06% em 12 meses – bem acima do teto da meta do Banco Central.

“Com o aumento da taxa básica de juros em 2021, espera-se um cenário de desaceleração no consumo como um todo, controlando também a inflação. Mas tudo depende também de como serão as próximas decisões do Banco Central.

A ata da reunião – que é o foco dos analistas financeiros e apresenta o detalhamento da decisão – ficará disponível na próxima terça-feira (22).

Apenas em maio deste ano, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é a prévia da inflação brasileira, ficou em 0,83. É a maior taxa em 25 anos para o mês.

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Taxa Selic 2021: por que está subindo?

O principal motivo para a alta da taxa Selic 2021 é o rápido aquecimento da economia no país. Com a recuperação mais forte do que o mercado projetava, o Copom anunciou que deixou de sinalizar um ajuste “parcial” nas condições monetárias e que, agora, o objetivo é levar a taxa básica de juros para um “patamar neutro”.

Mesmo com o anúncio de nova elevação da Selic na próxima reunião para 0,75 p.p, o órgão sinalizou que pode haver a necessidade de aceleração no ritmo de reajustes do mecanismo de controle da inflação.

“O Comitê enfatiza, novamente, que não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação”, diz o comunicado.

Impactos do aumento da taxa Selic 2021

Segundo especialistas em investimentos da Ethimos, altas da taxa básica de juros podem refletir nas regras de financiamentos, no aumento de taxas bancárias e na rentabilidade de alguns investimentos de renda fixa, por exemplo.

“No atual cenário, títulos prefixados e indexados à inflação de prazos mais longos podem apresentar valorização neste primeiro momento, com redução nas taxas dos títulos. Pode ser uma boa oportunidade de ganhos de capital para quem já tem esse tipo de ativo”, diz Costa.

Além disso, o head de Renda Fixa explica que é comum títulos de curto prazo se desvalorizarem no atual momento.

“Já os títulos prefixados e indexados à inflação, com prazos mais longos, podem apresentar valorização em um primeiro momento”, explica.

“O mercado financeiro considera o cenário positivo para alocação nos títulos pós-fixados, que acompanham a taxa de juros”, acrescenta Costa.

Quando será a próxima reunião do Copom?

A próxima reunião do Copom para definir a taxa Selic 2021 está agendada para 3 e 4 de junho.

Selic e inflação em 2021

Um dos principais parâmetros para o ajuste da taxa básica de juros é a meta inflacionária para o ano, definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Em 2021, a meta central da inflação é de 3,75%, com tolerância de 1,5 p.p para baixo ou para cima.

Segundo levantamento da equipe de fundos da XP, a taxa Selic deve fechar 2021 em 5,50%. Entre os principais fatores para essa projeção está a forte revisão positiva para o PIB (Produto Interno Bruto), que pode crescer até 5,30%. 

“Além disso, as condições de mercado trouxeram alívio para a moeda local, com valorização do real contra o dólar, mas, por outro lado, as expectativas inflacionárias seguiram movimento de alta”, acrescenta o relatório.

O que é a taxa Selic?

Você sabia que a taxa Selic é um dos principais e mais importantes indicadores econômicos da economia brasileira? O índice e as expectativas do mercado sobre os valores futuros têm grande importância nas estratégias de investimentos, por exemplo.

Em resumo, a Selic é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, um sistema do Bacen (Banco Central do Brasil) em que se encontram registradas todas as operações de curtíssimo prazo realizadas por instituições bancárias e que envolvem títulos do Tesouro Nacional.

Nessas operações, os agentes utilizam os títulos públicos federais que possuem como garantia para o crédito de curtíssimo prazo que pegam emprestado. Como em todas as transações de crédito, os bancos também pagam juros para que possam financiar no curto prazo.

Nesse sentido, a média ponderada dos juros praticados entre as instituições representa a Taxa Selic efetiva. Por se tratar de uma modalidade de investimento com vencimento overnight (curtíssimo prazo), a Selic efetiva também ficou conhecida como Selic Over. Pelo tempo curto de negociação, o Copom se reúne a cada 45 dias para definir a principal taxa de juros.

Como o Banco Central atua na Selic?

Nos 45 dias seguintes à definição da Selic, o Bacen atua comprando e vendendo títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional para interferir na oferta e na demanda desses investimentos. No caso de uma elevação da Selic, os títulos são vendidos com taxas maiores, elevando também o preço das operações entre bancos.

É importante dizer que o Bacen não emite títulos, função que cabe ao Tesouro Nacional. A instituição atua apenas no controle da oferta e da demanda dos títulos no mercado negociando aqueles que já foram emitidos.

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Banco Central do Brasil, responsável pelo controle da inflação e da Selic.

Impactos da Selic na economia

No curto prazo, em um cenário em que as taxas básicas de juros estão baixas, o crédito naturalmente se torna mais barato do que em outros momentos. Com isso, mais dinheiro circula na economia e, naturalmente, as pessoas passam a consumir mais.

Por outro lado, com o aumento da taxa Selic 2021 e dos juros, o acesso ao crédito fica mais difícil, e a circulação da moeda no país, diminui, bem como o poder aquisitivo das famílias. Portanto, o consumo de produtos e serviços que puxam a alta da inflação também reduz.

Selic e investimentos

Como nossos especialistas explicam, a taxa básica de juros impacta também o mercado de títulos públicos. Elevações sucessivas da Selic permitem que investidores passem a ter retornos melhores em aplicações menos arriscadas.

Além disso, os impactos das altas e das baixas da taxa básica de juros na economia real também impacta o mercado de renda variável, já que o desempenho das empresas depende do consumo das famílias e do acesso ao crédito por empresários, por exemplo. Um aumento da Selic prejudica, muitas vezes, a atividade econômica das empresas.

Entretanto, para a nova alta da Selic, conforme levantamento da XP, “gestores estão posicionados a favor desse mercado”.

Vale ressaltar que há outros fatores que direcionam o desempenho da economia. Embora o aumento do apetite por risco ou por ativos de renda variável ou renda fixa receba forte influência das taxas de juros, isso não é unicamente influenciado por elas.

Os especialistas da Ethimos, um dos maiores escritórios da XP Investimentos, dão as recomendações para montagem da carteira de investimentos de acordo com o atual cenário econômico, incluindo a atual taxa da Selic 2021.

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Como investir em 2021 com a atual taxa de juros?

Selic e Câmbio

No mercado de moedas, os preços também são determinados pela oferta e pela demanda. Ou seja, ao aumentar a remuneração real (acima da inflação) paga ao investidor internacional, o Brasil aumenta a demanda por títulos públicos brasileiros negociados em reais. Isso provoca um aumento na demanda por reais no mercado internacional, fazendo com que seu valor se aprecie, e a relação de câmbio dólares por reais, caia. O oposto também é válido.

Segundo especialistas da Ethimos, o cenário internacional dos últimos anos mostra as economias desenvolvidas remunerando o investidor com rendimentos quase nulos para os títulos públicos emitidos. Dessa forma, os investidores passam a buscar por rentabilidade em países com retorno maior, porém com risco controlado.

Histórico da taxa Selic no Brasil

Desde o final da década de 1990, a Taxa Selic no Brasil vem passando por um movimento de quedas. No entanto, em março de 2021, houve a primeira alta depois de quase seis anos.

Em comparação ao início do funcionamento do indicador, a Selic reduziu de 23,28% ao ano para o patamar atual de 2,75% ao ano. Esse movimento, no entanto, não fora linear: em períodos de maior instabilidade política, a taxa chegou a sofrer elevações, como 1997, quando atingiu a máxima histórica (45% a.a.) por alguns meses.

Em 1998, novas altas ocorreram, com os juros básicos brasileiros atingindo novamente os 40%.

De 2005 para cá, já com uma estabilidade política relativamente maior, a taxa Selic sofreu cortes menos acentuados, voltando a se elevar apenas durante a crise econômica que se instalou no país a partir de 2012 – momento em que a inflação tornou a atingir dois dígitos anuais – e em 2020, com o avanço da pandemia de Covid-19.

Os valores definidos pelo Copom para a Selic podem ser consultados no site do Bacen a qualquer momento.

Como investir com a Taxa Selic em 2021?

A melhor forma de investir de acordo com a atual taxa Selic 2021 é com a ajuda de um assessor de investimentos. Esses especialistas observam todos os acontecimentos nacionais e internacionais e dão recomendações de carteiras de investimentos.

Na Ethimos, o atendimento é comprovado pelo selo NPS (Net Promoter Score), e os assessores têm grande experiência no mercado financeiro. A empresa tem quase 6 mil clientes e gerencia um patrimônio de R$ 2,9 bilhões.

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Fernando Jacomini

Fernando Jacomini

Jornalista, redator e editor de conteúdo. Atua no Blog e na assessoria de imprensa do Grupo Ethimos.

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