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O termo taxas cambiais está presente em todos os lugares: nos noticiários da TV, nos anúncios do banco e nas compras internacionais, por exemplo. Mas você sabe o que são, de fato, as taxas de câmbio?

Se acessou esse post, é porque tem interesse em entender melhor sobre o assunto tão importante. E você está no lugar certo!

Portanto, neste material vamos explicar quais são as principais taxas de câmbio, o porquê elas mudam constantemente e como evitar ter gastos acima do necessário na hora de fazer transações internacionais.

Continue a leitura!

Introdução

Ouvimos o tempo todo sobre câmbio, dólar, euro e libra. O apresentador da TV também diz que o dólar está cotado em “tantos” reais ou que variou “tantos por cento”. E aí, surgem algumas dúvidas: como esse valor é definido? É possível comprar o dólar no preço divulgado? E por que o preço do dólar muda tanto?

Para responder essas perguntas, é preciso entender a dinâmica desse mercado e identificar como ocorrem as diferenças entre as taxas de câmbio.

Mas antes de tudo, vamos entender como é formada a taxa de câmbio, que serve como base para as demais.

Formação das Taxas Cambiais

O principal componente que define as taxas cambiais é a lei da oferta e demanda. E o funcionamento dela é simples. Em outras palavras, se eu tenho pouco produto e muita gente querendo comprar, o preço sobe. Mas se eu tenho muito produto e pouca gente compra, o preço cai.  É o mercado quem define.

No mercado de câmbio, essa definição de preço se chama câmbio flutuante, quando não há intervenção direta no preço da moeda.

O Banco Central brasileiro às vezes intervém no mercado, praticando os leilões (vende parte de sua reserva) para promover maior liquidez e acaba, imediatamente, distorcendo o valor da moeda. Por conta disso, o regime de câmbio no Brasil é considerado câmbio flutuante sujo (entenda abaixo).

Já o câmbio fixo é quando o Banco Central de um país determina um valor fixo para a moeda e intervém de forma direta e constante na sua taxa de câmbio.

Existe também a banda cambial, quando o Banco Central de um país só atua quando a taxa de câmbio está fora dos limites mínimos e máximos que estabeleceu.

Câmbio flutuante

Como você já viu, existem diferentes maneiras de um país intervir nas taxas cambiais. Vamos entender a dinâmica de preços da moeda no regime de câmbio flutuante, como o nosso.

Veja um exemplo do dólar americano:

Para que haja abundância de dólar no mercado, é necessário que as condições econômicas estejam favoráveis para que um volume considerável da moeda venha para o país. Por exemplo:

  • juros atrativos para os grandes investidores internacionais;
  • fluxo de pagamentos positivo (maiores recebimentos por exportações do que pagamentos por importações);
  • ambiente político e econômico com menor risco.

Com essas condições, a economia absorve maior volume do dólar e, com a maior oferta, o preço da moeda cai.

O inverso também ocorre quando os cenários econômicos e políticos não são favoráveis:

  • remunerações para os grandes investidores não estão atrativas;
  • fluxo comercial deficitário (maiores pagamentos por importações do que recebimento por exportações).

Com a escassez da moeda, o dólar fica mais caro.

Portanto, o preço oscila conforme a quantidade de dólar disponível e a procura pela moeda. Em outras palavras, essa relação de preço entre duas moedas se chama paridade.

Essa relação ocorre com todas as moedas do mundo. Mas existe um grupo pequeno de moedas consideradas conversíveis – negociadas de forma mais ampla, de forma direta. Também existem as moedas não conversíveis, negociadas apenas regionalmente.

Existe um grupo pequeno de moedas conversíveis, aquelas negociadas de forma mais ampla no mundo inteiro, de forma direta. E existem as moedas não conversíveis – aquelas negociadas apenas regionalmente. Ou seja, o real é considerado uma moeda não conversível.

Paridade entre moedas

É possível se determinar a paridade entre todas as moedas de forma direta ou indireta. Por exemplo:

Paridade direta entre duas moedas conversíveis:
Euro (EUR) e Dólar (USD) EUR 1,00 = USD 1,13

Paridade direta entre uma moeda conversível e uma não conversível: Dólar (USD) e Real (BRL) USD 1,00 = BRL 5,45

Paridade entre duas moedas não conversíveis através de uma conversível: Real (BRL), Dólar (USD) e Lira Turca (TRY)

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Exemplo de paridade entre moedas

É importante dizer também que a paridade é a fonte para as outras taxas de cambiais.

Tipos de taxas cambiais

Atualmente, as taxas cambiais existentes são: câmbio comercial, câmbio turismo e o câmbio paralelo. E agora que você entende como o preço das moedas varia, explicaremos a diferença entre essas taxas.

Mas, antes, é preciso explicar sobre remessas: elas são como as nossas taxas bancárias e servem para pagar operações de importação e exportação, empréstimos e investimentos, por exemplo.

No entanto, uma remessa envolve bancos de países diferentes e, para cada tipo, é necessário apresentar um documento que comprove o motivo dessa transação. Essa atenção se dá para prevenir a lavagem de dinheiro, evasão irregular de divisas, sonegação de impostos e financiamento ao terrorismo.

Câmbio Comercial

O câmbio comercial é o preço da moeda em operações de remessas. A taxa do câmbio comercial será resultante da paridade da moeda e a margem de lucro que o banco aplica na transação. Ou seja, se a paridade entre o dólar e o real é de R$ 5,45 e o banco quer aplicar uma margem de lucro de 1%, a taxa do câmbio comercial para essa remessa será de R$ 5,5045.

Câmbio Turismo

O câmbio turismo é o valor da moeda em meios físicos, como dinheiro em espécie e cartão (de crédito ou pré-pago). Também tem como base a paridade entre as moedas e, além da margem de lucro que o banco ou corretora aplica, há um custo de importação e distribuição do dinheiro físico ou a aquisição do volume para compensação do pagamento do cartão.

Em virtude desses custos mais elevados, a taxa de câmbio turismo sempre será maior que a do câmbio comercial.

Nesse sentido, sempre tem aquela pergunta sobre essa diferença entre o comercial e o turismo: ah, mas estou comprando dólares pois vou gastar no comércio lá fora. Não seria câmbio comercial?

A resposta é não, infelizmente. Se está usando seu dinheirinho ou cartão, já se configura como câmbio turismo e, por isso, se aplicam as taxas referentes ao câmbio turismo.

Além da oferta e demanda, o volume de uma determinada moeda também define seu nível de preço no câmbio comercial e no turismo. Em outras palavras, quanto menor seu volume, maior tende a ser a margem de lucro aplicada na transação, já que o custo para aquisição e distribuição se torna mais elevado em pequena quantidade.

Câmbio Paralelo

Por último, o câmbio paralelo se refere às transações ilegais, sem registro, lastro ou regulamentação. Portanto, não há nenhum parâmetro ou controle do nível de preço. E existem cada vez mais ferramentas para coibir e punir os envolvidos nestas práticas e as penas vão desde multas à prisão.

Taxas cambiais e bancos

Lembrando que as operações de câmbio abrangem a compra e a venda. Ou seja, o banco vende a moeda para o cliente que quer comprar dólares ou enviar recursos para fora do país. A instituição também compra quando o cliente recebe um pagamento internacional ou vende a moeda que sobrou da viagem.

E nos casos em que o banco compra da moeda do cliente, a margem de lucro é negativa. A taxa será sempre inferior a paridade, resultando num recebimento em reais, pelo cliente, mais baixo. 

Taxas Cambiais x Poder de Compra

Uma situação que também confunde bastante, quando o assunto são as taxas cambiais, é achar que uma moeda é barata somente porque ela vale menos que o real.

Acontece que uma coisa não tem a ver com a outra e, mesmo trocando R$ 1 mil por 5 mil de qualquer moeda, por exemplo, não quer dizer que você vai comprar cinco vezes mais. De certa forma, o contrário também.

Para exemplificar:

A paridade entre o real e o peso chileno é R$ 0,006. Ou seja, com R$ 1,00 se tem CLP 6.000,00. Isso não quer dizer que você transformou 1 em 6.000. E seu poder de compra não é maior por conta disso. Você pode comprar um refrigerante aqui com R$ 4,00, mas talvez não compraria o mesmo refrigerante por CLP24.000,00 (equivalente a R$4,00).

É natural existir diferenças de poder de compra entre uma moeda e outra, mas não se pode determinar que apenas a taxa de câmbio é a responsável.

Uma economia mais fragilizada, com inflação alta, por exemplo, gera uma diminuição do poder de compra. Ou seja, os preços sobem e você precisa dispor de mais dinheiro para comprar um mesmo produto.  Nesse caso, é possível perceber de forma mais clara a diferença entre o que se pode comprar com uma moeda e outra.

No entanto, a taxa de câmbio não é a causa dessa distorção, e, sim, apenas um reflexo deste fator.

Conclusão

Neste post, você entendeu como ocorre a variação do preço das moedas, o que é paridade e os principais fatores que influenciam no valor.

Além disso, percebeu o quanto é complexo fazer contas para saber quanto vai gastar em dólar em uma viagem.

Nesse sentido, a melhor saída é aquela velha frase: “Quem converte, não se diverte”. Ficar calculando quanto seria em reais aquilo que está comprando em outra moeda pode tornar uma viagem prazerosa numa experiência não tão boa.

Assim, um planejamento mais eficiente para viagens e transações em câmbio com menos burocracia dependem da ajuda de especialistas.

A Ethimos Câmbio, que faz parte de um grupo que é referência em assessoria de investimentos e gestão de patrimônios, opera em todas as naturezas de câmbio, realizando transações de importação, exportação, remessas financeiras e câmbio turismo, de forma transparente, prática e com preços altamente competitivos.

*Texto escrito por Lucas Brigato, sócio e assessor de investimentos da Ethimos.

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