Como investir em dólar

O dólar está perdendo força em 2022. Até o momento, a moeda norte-americana acumulou queda de 11,32%, chegando a ser negociada abaixo de R$ 4,90. O Brasil é o país em que o dólar mais se desvalorizou em 2022, de acordo com dados da Economatica.

No entanto, o alívio da pressão cambial exige cautela. Segundo o Boletim Focus, a previsão é que o dólar termine o ano em R$ 5,60. Além disso, as eleições entrarão no radar dos investidores nos próximos meses.

Continue lendo o artigo para entender o motivo da queda e como investir em dólar.

Boa leitura!

Por que o dólar se tornou a moeda mais forte do mundo?

O dólar se tornou referência internacional há muitos anos e é usado no mundo inteiro para fazer comércio entre as nações. Mas nem sempre foi assim.

Durante a segunda metade do século XIX, a moeda mais respeitada no mundo era a libra esterlina, da Inglaterra que, nessa época, era considerada uma potência mundial. Foi apenas na Primeira Guerra Mundial (1914 e 1918), com a economia da Inglaterra desestabilizada, que o dólar americano ganhou força e começou a participar ativamente no comércio internacional.

Contudo, foi em 1945, com a Segunda Guerra Mundial, que os EUA começou a se consolidar como a nova potência mundial, vendendo material bélico e outros produtos necessários para atender a população europeia.

Dessa forma, foi na Segunda Guerra Mundial que o dólar americano passou a ser referência monetária.

O que faz o dólar ser importante para a economia mundial?

Antes de falar sobre os motivos que estão fazendo o dólar cair, é importante que você saiba a importância da moeda norte-americana para a economia mundial.

Um dos motivos é a moeda ser vista como confiável em relação às outras, além do “padrão dólar” ser usado no mundo todo para fazer comércio entre os países. Ela também oferece garantia e menos incertezas quando comparada com outras moedas.

Outro fator é a reserva monetária em dólar que outros países possuem o que, de certa forma, causa uma dependência.

Como a moeda interfere na economia brasileira

As oscilações do dólar trazem consequências diretas na economia brasileira, principalmente na inflação e nas exportações brasileiras.

Quando o dólar sobe há um impacto nos preços dos produtos que são comprados em moeda estrangeira por empresas brasileiras. Isso pode desestimular a compra no mercado consumidor e diminuir a margem de lucro das empresas. Em contrapartida, a valorização do dólar beneficia empresas e setores exportadores, que vendem os produtos em moeda estrangeira.

Já com a queda do dólar, setores que importam produtos, como o varejo e tecnologia, são beneficiados com o dólar mais baixo, pois o produto fica mais barato e há uma maior margem de venda.

O dólar nos investimentos

A variação cambial interfere na taxa de juros brasileira, que define os rendimentos dos investimentos em Renda Fixa. Em um cenário de alta de juros nos EUA, por exemplo, há uma entrada maior de capital estrangeiro no mercado brasileiro e faz com que o real se valorize.

Com o dólar valorizado, os ativos de Renda Variável negociados no Brasil oferecem boas oportunidades de entrada para os investidores estrangeiros, favorecendo o desempenho da Bolsa de Valores.

Motivos para a queda do dólar

  • Investimento estrangeiro
  • Mercado internacional
  • Inflação 2022

A queda do dólar é resultado do maior fluxo da moeda circulando no Brasil. Isso se deve aos investidores estrangeiros saindo das bolsas americanas em antecipação às altas de juros anunciadas pelo Federal Reserve. Até que a alta ocorra, os investidores alocarão seus ativos de curto prazo para aproveitar boas oportunidades de lucro – como as oferecidas no Brasil.

De acordo com Lucas Brigato, head de câmbio, sócio e assessor da Ethimos Investimentos, os investidores estão direcionando seus recursos para países emergentes e, dentre eles, o que está mais atrativo em termos de juros, bolsa barata e oportunidade de investimentos em commodities, é o Brasil.

“É a lei da oferta e demanda: se o investidor de fora colocar mais dólares na economia brasileira, haverá um volume maior da moeda por aqui. E quanto maior a oferta, menor o preço”, afirma.

  • Investimento estrangeiro

Apenas neste ano, o investimento estrangeiro na bolsa de valores passou de US$ 50 bilhões. Esse alto volume de dólares entrando no país é um dos fatores que impulsiona a valorização do real frente ao dólar. 

Se trata da lei da oferta e demanda: se o investidor de fora colocar mais dólares em nossa economia, haverá um volume maior da moeda por aqui. Sendo assim, quanto maior a oferta, menor o preço. 

  • Mercado internacional

Outro fator que fortalece o real é o mercado internacional. Com o aumento dos preços das commodities no exterior, a venda de produtos faz com que haja um forte ingresso de dólares no Brasil com a venda de produtos, como minério de ferro, petróleo, soja, entre outros.

Com a guerra entre Rússia e Ucrânia, houve um impulso no preço de insumos de petróleo, o que fez com que seu valor passasse de US$ 100. 

  • Inflação 2022

A alta da Selic também atrai estrangeiros para o país. Após a última decisão do Copom, o Brasil voltou a ter o maior juro real do mundo. Segundo Lucas Brigato, essa alta proporciona um retorno muito atrativo para o mercado externo. 

Além disso, também há o aumento nos juros dos EUA, que subiram pela primeira vez em cinco anos. Devido a postura mais agressiva do Fed, o Banco dos EUA, para conter a inflação, os investidores americanos estão se desfazendo de suas aplicações na bolsa e investindo em países emergentes, como o Brasil.  

A queda vai continuar?

Na avaliação do especialista, no contexto atual, sim. Ele explica que existem alguns fatores que impulsionam essa queda, como a alta dos juros estimada em 12% ao ano. Nesse sentido, é importante ficar atento aos dados da inflação.

Outro fator que influenciará é a alta dos juros anunciada pelo Fed que, se for acima do esperado, valorizará a moeda norte-americana, no entanto, ao contrário, o real é favorecido.

Com o aumento da inflação no país, o ruído inevitável das eleições e as dúvidas sobre a evolução da situação fiscal no Brasil, cria-se um ambiente de incerteza. Combinando esses fatores, o especialista acredita que a queda não vá se sustentar até o final do ano.

Está na hora de comprar dólar?

Para o especialista da Ethimos Investimentos, a queda do dólar não deve ser muito duradoura. “Há muitas incertezas aqui no Brasil e uma guerra acontecendo lá fora”, comentou.

Além disso, a alta demanda de commodities pode acabar a qualquer momento, fazendo com que o dólar volte a ser valorizado.

Em um cenário não muito otimista para o real, pode ser uma boa hora para colocar dólares na carteira ou fazer uma viagem no exterior.

Diante da incerteza econômica, a recomendação do especialista é sempre conversar com um assessor de investimentos para definir a melhor estratégia para você, de acordo com o seu perfil investidor e as suas necessidades.

3 formas de investir em dólares

  • BDRs
  • Fundos cambiais
  • Contratos futuros

BDRs (Brazilian Depositary Receipts)

Os BDRs são títulos listados no Brasil pela B3, mas que têm lastro em ações de empresas negociadas no exterior. O BDR é uma forma de o brasileiro investir em companhias estrangeiras sem precisar necessariamente comprar a ação lá fora.

Neste tipo de negociação, você fica exposto à flutuação da cotação de ações no exterior e tem a rentabilidade afetada pela variação cambial. Assim, você ganha com a valorização do dólar frente ao real.

Confira 5 ações internacionais para investir:

CompanhiaTickerPreço atualPreço-alvo
WalmartWALM34R$ 44R$ 52
Berkshire HathawayBERK34R$ 82R$ 86
AMDA1MD34R$ 670R$ 837
DisneyDISB34R$ 349R$ 342
J.P. MorganJPMC34R$ 670R$ 837
Carteira de investimentos BDRs Março/2022

Fundos cambiais

Fundos cambiais são tipos de fundos que investem em ativos atrelados a moedas estrangeiras. São indicados para proteger a carteira contra flutuações de moedas fortes, como o dólar e o euro.

A grande vantagem desse tipo de investimento é que permite que você fuja do dólar turismo – que é mais caro do que o dólar comercial. Esses fundos têm boa liquidez, são seguros e têm gestão profissional.

Eles funcionam de forma simples: os recursos de vários investidores são aplicados em conjunto no mercado e os ganhos são divididos entre os participantes.

Contratos futuros

Esse tipo de investimento permite que você rentabilize capital de forma rápida, além de servir como proteção para a sua carteira. Os contratos futuros são negociados no mercado de Renda Variável e, em resumo, é um acordo de compra e venda de um ativo em uma data futura.

Esses ativos são negociados na B3 com o código DOL e o investidor compra pela cotação atual, no entanto, só recebe em uma data futura pré-estabelecida.

É uma interessante opção para investidores que buscam rentabilizar com as oscilações de preços dos ativos e para quem busca proteção – estratégia conhecida como hedge.

5/5 - (108 votes)
Isabelle Miranda

Jornalista e Assessora de Imprensa

Posts recentes

Confira o IPCA hoje

Pelo quarto mês consecutivo, os economistas confirmam o que o brasileiro já sabe: comer ficou…

5 dias atrás

Como escolher sua corretora de investimentos?

Escolher uma boa corretora de investimentos para aplicar seu patrimônio é fundamental para quem quer…

5 dias atrás

Como ensinar Educação Financeira para crianças

Quando se fala sobre educação financeira no Brasil, sabemos que esse é um assunto sobre…

6 dias atrás

Confira a taxa Selic hoje

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, elevar a Selic em 1 ponto…

2 semanas atrás

Taxa Selic 2022 sobe para 12,75% ao ano: veja os impactos

Alta é a terceira consecutiva em 2021. Especialista explica os impactos.

2 semanas atrás

Selic: Saiba como funciona a Taxa Básica de Juros

Saiba tudo sobre a taxa básica de juros.

2 semanas atrás